Mostrando postagens com marcador Copa América. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Copa América. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, junho 18, 2008

Dúvidas

Algumas dúvidas surgidas em uma tarde chuvosa de domingo, acompanhando o jogo do Brasil pela TV:

- Por quê o toque de bola da Espanha no ataque, buscando espaços para chutar a gol é tão mais agradável do que o toque de bola do Brasil na defesa, sem a menor idéia do que fazer com a bola a não ser dar um chutão para a frente?

- Por quê, depois da Copa de 2006, nós "aposentamos" dois laterais vitoriosos, mas velhos e ineficientes (Roberto Carlos e Cafu), por outros dois laterais nada vitoriosos, não tão velhos, mas igualmente ineficientes (Gilberto e Maicon)?
Se fosse para ficar assim, melhor manter os anciões?

- Por quê, quando da Eurocopa, nenhuma estrela pede dispensa e alega cansaço, como fazem nosos Kakás e Ronaldinhos da vida quando vamos disputar a Copa América?

- Por quê a Eucopa é disputada pelo que os países têm de melhor e não por times B, como o Brasil faz na Copa América?

- Por quê até seleções mais "duras" como Suiça e Áustria fornecem espetáculos melhores na Eurocopa do que aqueles arremedos de jogos que temos na Copa América?

- Por quê adoramos nos colocar no centro do mundo e dizer que "a Eurocopa é um Copa do Mundo sem Brasil e Argentina"?

- Por quê o Galvão Bueno insiste em dizer que Brasil pode menosprezar os outros, chamando-os de pequenos, mas os outros não podem tripudiar, chamar o Brasil de fraco e vencê-lo dentro de campo?

Será que tudo isso tem a ver com "história" e "peso da camisa"?
Um aviso aos navegantes: hoje em dia, no futebol a história só serve para falar de jogadores aposentados e camisa não ganha nem no futebol de mesa.

É preciso jogar bola e merecer a vitória!

E tenho dito!

quarta-feira, julho 18, 2007

A final dos sonhos



O meu querido Olé já havia mandado gelar um caminhão de Quilmes e alguns tonéis de tinto de Mendoza!
As proximidades do Obelisco da Nueve de Julio estavam apinhadas de gente louca para gritar gol tantas vezes quanto fosse necessário a cada vez que Messi partisse para cima do gol do Brasol!
Todo mundo esperava uma goleada, até mesmo o Ricardo Teixeira.
Mas parece que alguém esqueceu de avisar ao Time de Volantes que ele deveria ser goleado e sair de campor agradecendo a oportunidade de perder a final para a Argentina de Riquelme, Verón, Tevez e Messi.
E como quem não avisa, não pode reclamar da reação do adversário, o Brasil B (termo do próprio Olé) deu show em Caracas e levou o bi da Copa América.

http://esportes.terra.com.br/futebol/copaamerica2007/interna/0,,OI1761204-EI8892,00.html


O Olé decretando o fim de uma geração na Argentina


E o show começou logo cedo, com um Brasil batendo até na sombra e uma Argentina lenta e pouco perigosa.
Apesar de não gostar de violência e de "futebol-destruição" (o Elano poderia ter sido expulso em mais de uma ocasião), achei que a tática da Seleção foi perfeita: "já que somos inferiores tecnicamente, vamos inverter os papéis e não deixar eles jogarem", poderia ter dito o Dunga.

E tudo começou com um chutão travestido de lançamento do Elano para o Júlio Baptista, que parou a bola, teve calma para esperar e chutar no ângulo de "Pato" Abbondanzieri, que deu uma de Doni e estava na linha da pequena área.
Enquanto tudo isso acontecia, o "grande" Ayala assistia a tudo e optava por não se aproximar demais do volante brazuca.
Deu no que deu.


Júlio Baptista e Vágner Love comemorando o golaço


Aliás, o mesmo Ayala teve participação no segundo gol. Mesmo que ele quisesse, fica difícil imaginar uma finalização tão boa contra o próprio gol.
E melhor do que o gol foi o "Pato" botando as mãos na cabeça e o próprio Ayala desistindo de se levantar por achar que a vaca já tinha se afundado definitivamente no charco venezuelano, ainda mais com a confirmação de que a defesa era provavelmente o único ponto fraco do time.

E ainda houve tempo para uma ótima entrada de Daniel Alves no meio.
Entrou, jogou bem e fez o terceiro. Caixão fechada e alma devidamente encomendada, a Argentina já era. O "time de volantes" era campeão e não adiantava chorar.


Daniel Alvez fazendo o terceiro



Os "capitães", Gilberto Silva e Juan, levantando a taça


Já do outro lado do Atlântico, o entusiasmo não era tão grande assim.
Os espanhóis preferiram dizer que Messi não havia ganho o título que merecia, que o Brasil havia sido violento e que o futebol-arte havia sido trocado pelo estilo "à italiana".
Fiquei pensando se eles haviam dito a mesma coisa no ano passado quando a Itália foi campeã do mundo (jogando desse mesmo jeito) ou se trata-se apenas de alguma espécie de "imperialismo esportivo tardio".

Há de se ressaltar um detalhe que pode passar despercebido da maioria, mas que simboliza bem a união e concentração de um time: nenhum jogador da Argentina vai para o vestiário no intervalo antes de estarem todos no meio do campo para uma saída coletiva.
Não deu muito certo no domingo, mas eu gostei do gesto.

Mas nem tudo são flores no mundo do futebol brazuca.
Mesmo com a rendição de Riquelme, não dá para achar que está tudo bem e que nada precisa mudar.
Infelizmente para mim, não dá para esquecer Kaká e Ronaldinho e nem dá para achar que o grupo das eliminatórias é esse que é campeão.
Não se pode achar que tudo está bem quando ninguém cria jogadas e o meio de campo é todo formado por volantes.
E não se pode achar que o trabalho do Dunga é bom por conta da vitória. É preciso mais, muito mais do que isso para se consagrar e ganhar o respeito de quem ama futebol.

Pior que tudo é ouvir o Galvão Bueno mencionar a aparente contradição entre o significado de Seleção (que seria respeitado pela Argentina, ao só convocar os melhores) e o caminho seguido pelo Brasil, que fez da Copa América uma nova experiência.
Fiquei me perguntando de que forma uma Seleção consegue mudar de geração de jogadores se não for assim. Quer teste melhor para um grupo novo de jogadores do que um torneio oficial contra o time A de uma grande Seleção?
Coisas do sábio tio Galvão.

Fotos: Terra e Lance

quinta-feira, julho 12, 2007

E agora?

Deu a final que, segundo o monstro sagrado Galvão Bueno, o mundo inteiro esperava.
Tirando a arrogância e o autocentrismo embutidos na frase, é mais ou menos isso mesmo.

A Argentina contou com shows de Riquelme (nos jogos anteriores) e Messi (na semi contra a México) para abrir caminho a machadadas e bom futebol.
Aliás, alguns super-patriotas quiseram comparar o presente e o futuro de Robinho e Messi, mas eu acho isso impossível. O argentino está anos-luz à frente em tudo. Talvez só no samba o nosso menino seja melhor.


Messi: muito melhor do que Robinho


Mas voltando à final, o Brasil contou com a limitação e o medo dos rivais e com várias forcinhas da arbitragem (a última, escandalosa, contra o Uruguai) para chegar, meio que aos tropeções, mas chegar. Ah, na semi, além do juiz, o Lugano também era nosso.


Doni, mais ou menos na posição em que estava quando defendeu o pênalti batido por Lugano


Isso significa que os Hermanos vão atropelar?
Felizmente para nós, não necessariamente.
Uma final possui características técnicas e psicológicas um pouco diferentes e permite que um time inferior tecnica e taticamente (como sabidamente é o do Brasil) equilibre o jogo e até ganhe de um time que joga por música e dá espetáculo.

Como saber qual será o resultado?
Felizmente também isso não é possível. A coisa toda é meio que imprevisível, apesar do temor que todo brazuca deve estar sentindo neste momento.
"Aí vem o Messi!", podem pensar alguns.
"Como parar o Riquelme?", diriam outros".
"Liguem para o meu dentista e avisem que vou jogar contra o Ayala e o Heinze!", finalizariam os demais.

Seja como for, domingo tem mais sofrimento.
Só espero que seja como em 2004 e que a arrogância e a decepção só fiquem do lado deles!

segunda-feira, junho 18, 2007

É preciso coragem

O tema da conversa com os amigos há alguns almoços atrás era o pedido de dispensa enviado por Kaká e Ronaldinho Gaúcho para a CBF. Eles afirmavam, em um fax idêntico, que estavam cansados, precisavam de férias e agradeciam muito a lembrança de Dunga.
Mesmo que já estejam acostumados com essas situações, principalmente depois que os empresários e os treinadores-empresários (salve Luxa) passaram a dominar o mercado do futebol, muitos brasileiros acharam feio esse desinteresse pela Copa América por parte dos maiores craques da Seleção. E acharam ainda mais feio quando Tevez afirmou que, na Argentina, ninguém pede dispensa de uma convocação da Seleção. Se alguém quiser ver algum craque argentino fora da Seleção, que não o convoque.


Os "dispensantes"


Belo exemplo, pena que inútil para nossos milionários craques.
E ainda menos efetivo para a torcida, que acaba esquecendo rapidinho essa "deslealdade" e continua consumindo camisetas e produtos dos craques "cansadinhos".

Mas o Dunga até que ensaiou uma bronca nos meninos quando os convocou para os amistosos em Wembley e os deixou no banco, mas se houve repreensão, a grande imprensa não divulgou nada.
De concreto, só a ausência deles e o respeitoso silêncio por parte dos demais convocados. Parece que era pecado criticar a escolha deles e elogiar a própria conduta de querer defender a Seleção mesmo depois da temporada européia.
Sim, por que cansados deveriam estar todos, certo?

Mas eu tenho uma solução para este tipo de problema, uma solução tão efetiva quanto improvável: não convocar mais Kaká e Ronaldinho até que eles peçam desculpas publicamente e/ou até que surja outro torneio como a Copa América.
Acredito que isso seja efetivo justamente pelo peso econômico que a não convocação representa para esses jogadores. Não há vitrine melhor do que a Seleção Brasileira e não ser fotografado com a "amarelinha" tira os jogadores do foco da mídia e os deixa um pouco menos atraentes para os anunciantes.
Tudo parte de um longo e necessário processo de re-educação, mas continuo acreditando que a coisa funciona, assim como acredito que nada disso vai acontecer já que a própria CBF não vai deixar o Dunga tomar uma atitude como essa.

Uma pena, já que o perfil disciplinador que o Dunga tinha em campo poderia muito bem servir de corretivo para os cansadinhos.

Tomem vergonha, cambada de lazarentos!
Defender a Seleção é um privilégio, não um sacrifício.
Mirem-se no exemplo dos hermanos e pensem um pouquinho menos em dinheiro, só para variar.
A "mansa" torcida brasileira agradece, mesmo que não mereça.

---------------------------------------------------------------------------

UPDATE: Esqueci de mencionar a incredulidade de alguns amigos espanhóis com os pedidos de dispensa. Para eles, isso não é coisa que se faça com a Seleção Nacional.
É bom para perceber que não sou só eu que acho isso uma palhaçada de gente ambiciosa.